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Ainda a Modernidade

Na última década tem-se discutido muito sobre um suposto fim da modernidade. Esta idéia tem polarizado posições, uns acreditam que esta realmente cumpriu já seu papel, uma vez que a arte já não traz mais a força inovadora e transgressora das vanguardas, uma outra vertente, os defensores da modernidade, por sua vez, reconhecem a crise pregando inclusive a retomada da crítica da razão dentro do contexto atual, e assim possibilitar o resgate dos impulsos do Iluminismo e completar o projeto incabado da modernidade.

"Se a proposta modernizadora da Ilustração não se exauriu, sabemos que essa modernidade dividida não é a única possível. Inesgotável, a ilustração nos fornece as categorias para criticá-la e para esboçar os contornos de uma modernidade alternativa

Rouanet, Sergio Paulo. A Razão Nômade -Walter Benjamin e outros viajantes, Editora UFRJ, Rio de Janeiro, 1993, p. 142.

Caracterizando -se, culturalmente, pela profunda cisão científica e estética anterior ao Iluminismo e ao processo que culminou com a Revoluçao Industrial, a modernidade não foi apenas uma época onde triunfou a técnica da razão. Na Literatura, não foram poucos os textos que retrataram esse conflito em que a experiência dos homens vem marcada pela consciência da desintegração e pelo sentimento da dificuldade em conciliar a racionalização progressiva da vida com os valores e as nostalgias do passado. Walter Benjamin já detectara estes conflitos na leitura da obra do poeta decadentista francês Charles Baudelaire. Este sendo um flanêur para Benjamin, observava a cidade, seus personagens e seus conflitos como a um espetáculo. Baudeleire, o poeta flanêur, protestaria contra o triunfo da burguesia, contra o aspecto homogêneo da vida humana, dado pela industrialização, o flanêur protesta contra a reificação dos sentimentos humanos e contra a divisão social, sua ociosidade é para agredir a ordem vigente. Com isso o flanêur se aproxima dos marginais da cidade para mostrar o avesso da pompa da vida.

Circulando pelos labirintos da cidade, este flanêur encontra na multidão um abrigo, nela circula solitariamente, pois é um abandonado na multidão .

Benjamin, Walter. Charles Baudelaire Um Lírico no auge do capitalismo, obras completas, vol. III p51.

Traçamos em linhas gerais algumas reflexões sobre a modernidad. estas não se esgotam aí, num momento em que as diferenças engendradas pela globalização ficam expostas, reflexões sobre o projeto da modernidade se tornam necessárias, para que haja a superação contínuos dentro do processo histórico.


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