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Lietratura Brasileira

O Poema Em Negro




Angústia,
Toma minha alma e corpo
Corroendo minha vida pouco a pouco
O que queres de mim?


Fantasmas que ainda temo
Morte, sedutor silêncio,
Sempre a minha volta...
O que queres de mim?


A tua morada,
Eu já sei, vivi,
Convida-me..
Porque ainda recuso?
O que tenho a perder?


Fantasia...
Ainda me és valiosa
Me ligas ao mundo
Até enquanto não vem:
os passáros negros,
os abuteres,
o gemido dos enforcados...


E aí, tudo passa a ser
O meu corpo
O meu ser,


Dor, sofrimento,
gozas de mim
gozas em mim
Eu sofro e sinto
O que queres de mim?


Morcegos a morte
O que queres de mim?


Minha fuga é tua,
Meu silêncio também
Não fugo mais,
Vejo, sinto e sofro, só!


Estranhos ruidos,
Cheiros fétidos,
Corpos descarnados,
O que queres de mim?
Porque me cercas assim?


Alma humana, aonde estás?
Socorre-me!
Não vês que me sinto perdido?
Aonde estão os meus irmãos?
Aonde estão os meus amigos?
Ninguém para ouvir-me?


Inútil, ninguém me escuta
por mais que um dia!
Ah, hipocrisia, como me feres
Fazendo-me sorrir!


Estranhos demônios,
Se me segues tanto
Leva-me de vez!
Dize-me de uma vez!
O que queres de mim?
Ah! Deus! Adeus,


Penso, luto e me embriago
Para não Ter que enxergar
Meu atroz destino!
Louco, louco, louco!


Diria qualquer um
Que me escutasse
Nesta dor, neste desatino...
Mil vezes louco


Preferia ser
a continuar enfrentando
a sanidade em silêncio!
Escuridão, puro vazio
de um vivo morto,


de um vivo em negro,
Morto por não se sentir vivo
E vivo por não Ter ainda morrido!
E se ainda estou no mundo


dos vivos,
É porque falo aquilo
Que eles querem ouvir!


Até quando?
Até quando irei resistir?
Até quando suportarei
esta dor e este inferno?


Vale dos enforcados,
Como me és sedutor!
A Minha morte está aí,
E em outros lugares também...


Na queda livre do nono andar,
Na bala perdida de um marginal,
No atropelamento de cada dia,
No revólver do irmão querido,


E no imprevisível desfalecer...
Não sou mais vivo, sou morto
Eu sei, espero apenas a minha hora
Para poder silenciar


Pois se eu sobesse um pouco a mais
Eu aqui já não estaria..
Coragem! Coragem!
Coragem para morrer!
O teu dia chegará
E tudo estará acabado...


Nuvens negras...tempestade!
Retrato de todos nós
É assim que vejo
Cada um que admiro!


Escrevo meu próprio relato
Como um cadaver que se ergue
Da tumba para recontar sua mísera história...


Aonde está o meu silêncio?
Aonde está a minha paz?
Aonde está a minha antiga dor?


Já não sinto saudades
Do que não mais existe...
Eu era menos ferido
E menos torturado,
Assim... no passado


Mas o meu silêncio
Ainda é uma espera,
Não se compôs,
E o meu futuro,
Uma marcha a ser escrita...

Roberto Arêda Cidade: Fortaleza Atividades artísticas: Poesia, música, dramaturgia, artes plásticas Registro N.4562/23/97


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