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Literatura Francesa

Stepahane Mallarmé



Stephane Mallermé ( 1842-1898)

Nao poderíamos de celebrar os 100 anos da morte do poeta francês Stephane Mallermé. Um dos fundadores da modernidade nas artes, Mallarmé influenciado por Baudellaire. Este último fora um dos primeiros poetas a procurar dar uma identidade para a literatura num momento que o progresso industrial e tecnológico era a palavra de ordem.

À medida que Baudellaire via a desagregação dos mitos do passado bem como a transformação total da sociedade que se mediocrizava e massificava seus desejos, buscaria na poesia a forma de expressão que se oporia à mediocridade da vida burguesa, Baudellaire encontraria através da ruptura da linguagem formas de expressar um novo momento social, valorizando as mazelas engendradas pelo capitalismo, através de temas e personagens que ficavam à margem do processo de industrialização.

Já no final do século XIX, a linguagem poética é simples e dessacralizadora. Mallarmé então resgata a música para a poesia, fazendo com que as palavras dançassem na folha em branco. Mallarmé dessacralizando a linguagem romântica, explora a multiplicidade da linguagem e fragmenta a linguagem, moldando-a e lapidando-a sempre buscando novas formas.

Podemos ver então alguns de seus poemas.

Brinde


Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.


Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;


Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde


Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.

Cansado do repouso amargo


Uma linha de azul fina e pálida traça
Um lago, sob o céu atrás da nuvem clara
Molha no vidro da água um dos cronos aduncos,
Junto a três grandes cílios de esmeralda, juncos.

O Acaso


Cai
a pluma
rítmico suspense do sinistro
nas espumas primordiais
dde onde há pouco sobressaltara seu delírio a um cimo fenescido
pela neutralidade idêntica do abismo

Fosse


Seria
pior
não
mais nem menos
indiferentemente mas tanto quanto

A Vendedora de Roupas


O olho vivo com que vês
Até o seu conteúdo
Me aparta de minhas vestes
E como um deus vou desnudo

Poemas em: MALLARMÉ ; Augusto de Campos, Decio Pignatari, Haroldo de Campos; Editora Perspectiva.


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