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Lendo Bandeira

Lendo Bandeira



Cantiga


Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.


Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d’alva
Rainha do mar


Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar

In:

Poesias reunidas
, 7.ed., Rio de Janeiro,pag.124


PASÁRGADA


Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada


Vou-me embora para Pasárgada
Aqui eu não sou feliz.
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subierei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe d’água
Para me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora para Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostituta bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada

In:

Poesias reunidas
, 7.ed., Rio de Janeiro,pag.117


O Último Poema


Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicídas que se matam sem explicação.

In:

Poesias reunidas
, 7.ed., Rio de Janeiro,pag.119


A ONDA


A onda anda
aonde anda
a onda?
A onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
A onda a onda

In:

Poesias reunidas
, 7.ed., Rio de Janeiro,pag.255


Prepação para a Morte


A vida é um milgre
Cada flor
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada Flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo infinito.
O tempo infinito,
A memória é um milagre
A consciência é um milagre
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
-Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.

In:

Poesias reunidas
, 7.ed., Rio de Janeiro,pag.257


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